Por algum motivo Alex descobriu e agora essa era a sua melhor arma.
A morte forjada foi suficiente pra me trazer aqui. Alex sabia que eu não resistiria a um pedido de Laura. Assim como sabia que, revelando meu vínculo com a criança, eu faria o que ele quisesse em troca da segurança dos dois.
- Quem preciso matar, Alex?
Gargalhadas.
- Chega de enrolação, né, Marquinho?
- Chega, vamos partir pra ação.
Alex explicou que um figurão, parente de um outro figurão maior ainda, estava sob investigação. Parte da delegacia tinha monitorado o cara tempo suficiente pra juntar uma quantidade de provas que deixariam ele em cana até o fim do século. Só que alguém vazou a informação e o figurão mudou o ritmo do jogo. Começou a comprar gente da equipe e Alex se fodeu bonito, pois agora era acusado de tanta coisa que só fingindo sua morte pra ganhar fôlego.
- Vou me dar mal, certo?
- Vai sim, Marquinho, e esse será teu castigo por ter me colocado o par de chifres e me feito trocar as fraldas do teu filho.
- E depois?
- Depois tudo volta ao normal. Nada vai acontecer com a Laura nem com o teu filhote.
- Posso tomar um banho agora?
Os comparsas mascarados de Alex me desamarraram e me levaram até um banheiro. A água fria do chuveiro me revigorou e deu uma amenizada nos sangramentos. Fiquei ali uns quinze minutos. Depois de me secar, alguém me alcançou uma muda de roupa limpa.
- Tem cigarro aí, Alex?
- Toma.
Traguei a fumaça, tossi, cuspi.
- Quem é o cara?
- O cara é o delegado.
- Não era um figurão qualquer?
- O delegado tá junto.
Mais fumaça pra dentro de mim. Outra tossida.
- Qual o rolo?
- Coisa grande, desvio de carga e tráfico.
- Por que deu merda?
- Porque eu só descobri que ele tava junto depois que botaram no meu. Armaram pra mim do mesmo jeito que pra ti, meu amigo. Se eu der fim nesse cara, todo mundo vai voar direto no meu pescoço.
- Mas você não tá morto?
- Vou ressuscitar assim que essa merda se resolver. E, se tudo der certo com o teu serviço, como herói.
- Pra isso eu me fodo?
- Pra isso você se fode. Mas a Laura e o garoto escapam. Vão morar noutro país com uma bolada no bolso.
- Vou precisar de uma arma.
Um capanga me alcançou uma 765 raspada. Destravei a arma e chequei o pente. Tudo ok. Apontei pra cabeça do Alex e, na mesma fração de segundo, senti um cano frio encostar na minha nuca.
- Vai firme, Marquinho.
Recuei.
- Só queria te mostrar que tô vivo.
- Tô sabendo, por isso o negão aí vai ficar esperto contigo.
Eu tava na mão do Alex. Por hora tinha que dançar conforme a música.
- Posso ver a Laura antes?

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