Desci na espreita, fazendo mil projeções. Voltava à minha equação impossível de resolver, ao mesmo tempo em que temia pelo que podia encontrar lá embaixo. Me esgueirei na descida da escada e consegui ver a cena.
Dois homens altos, verdadeiros armários, estavam parados em frente à porta. Ambos apontavam seus revólveres para o delegado, para o outro policial que eu não conhecia e para a Laura. Os três estavam surpresos, o que era um mau sinal, com suas armas jogadas ao chão. A sexta pessoa estava sobre a mesa de centro, morta. O sangue escorria entre os estilhaços.
- Isso foi desnecessário. Mas posso relevar. Vocês ainda podem fazer a escolha sensata - disse o delegado, agora apresentando uma arrogância de quem controla o mundo.
- Vamos, delegado! Era só um soldado - debochou uma das torres gêmeas.
Não dava pra saber se o delegado conhecia aqueles homens. Mas, certamente, sabia o motivo deles estarem ali. Laura já não apresentava mais surpresa, mas uma certa tensão. Era o animal primitivo preparando seus músculos para agir. E o terceiro sujeito estava perplexo, em estado de choque. Talvez tivesse perdido seu parceiro diário de trabalho, uma situação horrível.
- Não preciso dizer que toda a polícia da região chegará aqui em poucos minutos, não é? Não tô falando com amadores - provocava o delegado.
Meu sentimento era dúbio. Se, por algum motivo, algum revólver inventasse de disparar em direção ao delegado, bingo! Problema parcialmente resolvido. Mas, ao mesmo tempo, Laura tava na linha de frente. Que situação do caralho!
- Bom, então, vamos direto ao ponto. Preferia tomar um café, mas vamos resolver logo isso - disse o outro troglodita.
- Certo, cavalheiros. O que vocês querem?
- Nós viemos pegar uma coisa - disse o B1.
- Preferíamos que não tivesse ninguém em casa. Foi mal o transtorno - B2 completou.
Pior do que toda essa situação era aquele jogral patético dos assassinos. Era só o que me faltava. Quando foi que eu tinha ido parar nos filmes de ação dos anos 1980, 1990? Se bem que não seria má ideia encarnar o John McClane.
- Laura, você pode nos levar até o quarto do menino? - disse o mais irônico deles.
- Eu te mato, filha da puta - respondeu Laura.
Eu estava desarmado. Não tinha o que fazer. Comecei a pensar se ia até o quarto do guri. Se fugia com ele. Se tentava alguma coisa ali mesmo. Entre as tantas possibilidades, ouvi mais uma frase.
- Pode ter calma, nosso chefe jamais machucaria o menino.
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