Capítulo 16 - Pasodoble
A tensão fremia em mim. A escada, aquela que eu ainda me esgueirava, parecia querer desabar. Meu peso triplicara com o aperto que sufocava o peito. O coração fiou-se na esperança de tudo acabar bem. Vã esperança. Eles, as torres gêmeas, iriam subir até o quarto do Nicolas.
Quem eram? O que queriam? Impossível saber. Subi rápido, dosando o peso em cada degrau para evitar o barulho. Uma bailarina dançando com o perigo. Os passos leves e a alma pesada me guiaram até o quarto do guri. Já com a arma na mão, me escondi em meio aos tantos ursos de pelúcia, no canto oposto da pequena cama. Grandes, fofos e quentes. E com muito ácaro. Torci para minha rinite dar trégua. Ali era meu bunker de guerrilha. Ou minha pista de dança.
Depois de amarrarem o delegado, o policial e Laura, eles subiram. Impávidos, cheios de si, vieram resolver o serviço. Entraram no quarto. Em silêncio. Um deles foi em direção ao guri. Nicolas sorriu, como se conhecesse. Disse, para meu espanto, ainda tentando falar, a palavra "titio". Nada fez sentido. Será que Laura sabia quem eles eram? De todo o modo, eu estava pronto para atacar. Dois pra lá, dois pra cá. Não fosse o urso de pelúcia gigante que atiçou meu nariz. Um espirro agudo. Nicolas voltou pra cama. O choro forte da criança foi entremeado com tiros. Muitos. Todos.
Enquanto que as torres gêmeas atiravam para qualquer canto, sem saber de onde veio o barulho, eu esperei. Quando as balas cessaram, eu atirei. As torres nunca se separam. Estavam lado a lado. Foi fácil. Uma, duas, três vezes. Doze tiros. Com o ódio comendo o fígado, derrubei as torres gêmeas. Um Osama Bin Laden pós-moderno. Os dois mortos, ali, na minha frente. Restava comemorar. Peguei meu filho no colo e dancei. Vitória da bailarina. O passo mais lindo que fiz na vida.
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